20 de agosto de 2016

Dicas para evitar cabeleira ou Black Lash nas carretilhas







Cabeleira ou back lash é aquele incomodo e irritante emaranhado que se forma no carretel da carretilha, e que, às vezes, de tão intenso, provoca a perda de toda a linha e desanima muitos pescadores após um lançamento.

Porém, obedecendo alguns procedimentos, não é difícil evitar que as cabeleiras aconteçam. Na carretilha, ao contrário do molinete, o carretel é móvel e gira livremente quando é tracionado pelo peso da isca.

A cabeleira ocorre no momento em que ele gira com velocidade superior a saída de linha e, principalmente, quando a linha para de sair abruptamente e o carretel continua girando. Nessas situações a linha afrouxa e desenrola sobre o carretel, e o resultado é uma sobreposição de linhas embaraçadas difícil de ser desfeita.

Porém, antes de indicar os procedimentos mais conhecidos para evitar cabeleiras, vamos explorar um pouco mais os aspectos mecânicos e recursos das carretilhas.

Os modelos mais modernos são dotados de sistemas de freio anti cabeleira e de freio mecânico ou de arranque. É necessário que estes dois sistemas estejam regulados de acordo com as condições do vento, do peso da isca, da ação da vara e da habilidade do pescador.

Freio Mecânico:





O freio mecânico pode ser acionado atarraxando o botão localizado ao lado da manivela.

A regulagem ideal é obtida quando o carretel é destravado e a isca desce devagar até tocar o chão.

Nesse momento o carretel tem que parar de girar.

Ou seja: para cada peso diferente de isca uma nova regulagem é exigida. A boa localização desse freio facilita essas mudanças constantes de regulagem.

O uso correto desse mecanismo evita, por exemplo, situações nas quais as iscas muito pesadas provocam um arranque extremamente forte no carretel, fazendo o girar numa velocidade muito maior do que a da saída da linha.


Freio Anti Cabeleira: 






O freio anti cabeleira pode ser encontrado principalmente em duas versões:
Centrífugo e Magnético.

Para ter acesso a regulagem do sistema centrífugo é preciso abrir a lateral contrária a da manivela. Lá dentro encontra-se um eixo rodeado de buchas plásticas.

O número de buchas varia a partir de dois, de acordo com o modelo da carretilha. essas buchas ficam soltas em seus eixos e funcionam como lonas de freio.
Assim, quando o carretel gira, a força centrífuga as empurra para fora e faz com que elas raspem na lateral do carretel, brecando.

Quanto mais rápido o carretel girar, mais força de freio essas buchas exercerão. Mas elas também podem ser travadas no eixo central para que deixem de atuar. Aliás, a regulagem nada mais é do que a quantidade de buchas que atuam no carretel.

Aos iniciantes recomendamos manter todas acionadas, porém, com o tempo e um pouco de prática pode-se ir destravando algumas. Para que as buchas funcionem de forma uniforme é importante manter uma posição simétrica entre aquelas que forem travadas. Assim, regulagens como uma sim uma não, uma sim duas não e outras simétricas são recomendadas.

 Freio Magnético





Já a regulagem do freio magnético se encontra na parte externa da lateral oposta a da manivela. É um botão achatado com uma escala que normalmente vai de 1 a 10 pontos. Esse botão de regulagem afasta ou aproxima os magnetos, fazendo com que sua atuação de freio seja maior ou menor.

Quanto menor o número na escala, mais longe estarão os magnetos e menos estarão agindo como freios. Mais uma vez é recomendável iniciar o uso com atuação máxima ( 10 pontos ) e ir diminuindo proporcionalmente com a aquisição de prática.

Naturalmente, quando acionados esses freios diminuem a capacidade de arremessos mais longos, porém, até que se tenha prática, é melhor arremessar mais perto do que lidar com cabeleiras inacabáveis.


Outros fatores: 
Durante uma pescaria, alterações bruscas de situações tais como ventos fortes, mudança de peso de isca entre outras, exigem mudanças na regulagem do freio anti cabeleira. Mas também existem outros fatores que fazem a linha diminuir de velocidade abruptamente e provocam cabeleiras com vento contrário, que pega a isca no meio do caminho e diminui sua velocidade, mas não o giro do carretel.

Aumente a atuação do freio mecânico e do anti cabeleira.
Procure arremessar de forma mais paralela a água, evitando assim uma ação maior do vento.

Durante arremessos realizados em ângulo muito aberto, pois a isca perde velocidade rapidamente quando sobe. Corrija o ângulo de arremesso para evitar que a velocidade da isca diminua tanto. Sabe-se que o ângulo que mais traz eficiência em distância á o de 45 graus. Treinando é possível encontrar essa relação com certa facilidade.

Obstáculos como tocos, árvores e até mesmo a batida na água podem parar a isca inesperadamente e o carretel continuará girando. Quando isso ocorrer trave imediatamente o carretel com o dedo assim que a isca atingir algum obstáculo, ou quando chegar ao seu destino.


O atrito excessivo nos passadores da vara também pode prejudicar o arremesso.






Utilize linhas de bitolas mais finas ou vara de melhor qualidade. Além desses fatores, existem outros dois menos perceptíveis, mas que são de substancial importância.

Trata-se da relação de força no arremesso e do peso das iscas utilizadas.
Esses dois fatores atuam num conceito conhecido por arranque. Num arremesso é necessário que a diferença entre a velocidade de saída inicial da linha (arranque) e sua velocidade final, tenha uma diminuição lenta e gradual para que tudo aconteça de forma perfeita.

Se no início do arremesso o arranque for muito grande e se a condição de condução da isca no ar for desfavorável, a saída da linha diminuirá rapidamente e o carretel continuará girando, e isso irá resultar numa bela cabeleira. Isso ocorre, por exemplo, quando usamos iscas leves e muita força no arremesso. É que o pouco peso desfavorece a condução da linha em grande velocidade, mesmo sem vento algum, e por isso não podemos imprimir força de arranque demasiada, pois isso fará com que o carretel gire mais rápido e atropele a saída de linha.

Assim, com iscas mais leves, devemos imprimir uma força de arranque menor, e o ideal é encontrarmos a relação perfeita entre a velocidade de saída e a de chegada da isca, com a diminuição lenta e gradual que citamos anteriormente.

Mesmo para iscas pesadas, existe um limite de velocidade de arranque.


Naturalmente quanto mais pesada a isca, mais arranque inicial ela irá provocar no carretel, mas seu peso, por outro lado, ajudará na condução da linha.

Mesmo assim a dosagem na força de arranque é necessária, pois a boa condução da linha não é infinita.

Parece uma equação difícil e complicada, mas existe uma solução bem fácil para solucionar esse problema. Basta usar varas compatíveis com o peso das iscas a serem arremessadas (casting) para que o corpo dessas varas faça o trabalho de arremesso para nós, e elimine a necessidade de colocar força excessiva. Quando arremessamos uma isca, o movimento da vara deve ser contínuo, ou seja, o movimento para trás e depois para frente não pode ter intervalos, e deve ser como se tudo fosse um único movimento. A força deve ser empregada apenas no momento em que estamos levando a vara para trás.


Se estivermos usando uma vara compatível com o peso da isca, no momento em que alterar o movimento para frente, esta irá vergar continuando sua trajetória espontaneamente. Assim, quando do nosso movimento de braço para frente, devemos apenas acompanhar a vara, não imprimindo mais força, pois o seu trabalho espontâneo será suficiente para arremessar a isca a grande distância. Naturalmente, tudo isso funciona perfeitamente apenas e tão somente se usarmos varas compatíveis com o peso da isca.

Uma vara pesada não irá vergar com uma isca leve e uma vara leve não ira voltar de forma perfeita com uma isca pesada, podendo até quebrar. Este trabalho da vara se aproxima muito da relação perfeita entre arranque e a velocidade final da isca. assim, no início, nunca imprima força no movimento para frente durante o arremesso, deixe a vara trabalhar para você.

Com tempo e prática até será possível colocar alguma força no movimento para frente, porém apenas para vergar mais a vara e aumentar seu trabalho, e não para efetivamente arremessar a isca.

Finalmente e como última dica importante, sempre que fizer seus arremessos mantenha o dedo raspando levemente o carretel. Isso serve para freá-lo e evitar a cabeleira, pois permite sentir quando a linha começa a afofar  é o que alguns amigos chamam de freio digital (com o dedo).

Veja no vídeo a baixo o mestre Nelson Nakamura, mostrando como regular o Freio da sua Carretilha corretamente amigos.



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